18 de setembro de 2009

Watchmen


O tema não é verossímil e abordá-lo como canhestro e violento, poderia gerar desconforto e acabar não agradando nem a quem gosta de temas mais adultos, nem a quem é mais chegado na fantasia propriamente dita. Tudo bem que gente adulta de máscara e uniforme combatendo o crime não é lá uma grande prova de maturidade artística, mas o legal de Watchmen (méritos totais ao escritor britânico Allan Moore) é brincar com o próprio ridículo da situação. O espirituoso Zack Snyder comprou a briga e realizou um filme violento, melancólico e irônico; o cineasta não desprezou a veia pop, afinal a despeito de toda a inovação proposta na obra, estamos falando de um bom e velho gibi.

Os tais heróis e vilões mascarados estão no meio da década de 1980 em um ambiente no qual a guerra nuclear torna-se cada vez mais iminente. O problema é que os mascarados que surgiram pra combater gangues de bandidos mascarados apenas em nível local, acabaram recrutados pelo governo e exercem papel crucial na história moderna (aí leia-se história norte-americana , com guerra fria, caso Watergate, guerra do Vietnã...). E o ápice dessa influência surge com um literal super-homem com poderes capazes de influenciar a questão da “diplomacia” das armas atômicas. Dr. Manhattan é um gentleman a altura do seu amigo de capa, mas muito mais conturbado e egoísta que aquele. A influência dos tais “vigilantes” mascarados foi demais e eles acabaram obrigados a abandonar a profissão ou então viver na clandestinidade depois da publicação de uma lei linha dura no final da década de 1970.

Além da já citada auto ironia, um dos maiores diferenciais de Watchmen, está na excelente composição de seus personagens com todas as fraquezas e inseguranças de uma pessoa comum. O negócio é pancada e envolve sérios desvios comportamentais e atitudes nem sempre heróicas. Informa-se ainda que a condução da trama é extremamente envolvente, mas a conclusão é de certa forma decepcionante. A resolução, apesar de inovadora, apresenta-se frustrante, justamente pela expectativa criada até então.

Apesar de alguma inconsistência, o filme vale pela violência gráfica e pelo tom melancólico e desesperançado. As cenas do Comediante comemorando a vitória americana no Vietnã e a de Roorschach nas ruas de Nova Iorque fazendo valer a lei a um seqüestrador sem escrúpulos são, no mínimo, sensacionais Agora, é impossível não reconhecer que certas passagens são enfadonhas, a exemplo dos conflitos existenciais do Dr. Manhattan e do clímax meia boca (no gibi, a coisa é mais forte). Apesar disso, Watchmen tem estilo e vale por passagens como o sarcasmo de uma heroína aposentada se divertindo com a descoberta de um livrinho pornô em sua homenagem.

Ponto Alto: apesar de achar O Comediante o grande personagem da saga Watchmen, no filme tenho de dar o braço a torcer e aplaudir Rorschach. Muito desse mérito cabe ao ator Jackie Earle Haley.

Ponto Baixo: Nunca fui muito fã do tal Ozymandias, mas no filme exageraram. Que ator é Matthew Goode? O precursor do metrossexualismo yuppie, lá na década de 1980, virou uma aberração mal definida sem carisma ou qualquer lastro de energia.

1 Comments:

Blogger Marcela Lima said...

Oiii Juarez td bem?? Olha estava dando uma olhadinha no seu blog, e vi como vc comenta bem os filmes,claro que eu não sei nada nem conheço sobre filmes mas achei legal você falar sobre eles. pois assim ficamos por dentro do que fala certinho sabendo quais os pontos positivos e negativos de cada um. Um dos filmes que mais gostei e voc~e comentou foi O Curioso caso de Bejamin B.,um dos filmes mais legais que asssiti,mas gostaria que postasse um comentário sobre o filme "A VIRADA",eu já assisti e também achei mto interessante. Meus parabéns pelo seu blog e por sua gentileza!Abraços até mais =D

8:44 AM  

Postar um comentário

<< Home