24 de novembro de 2008

O Massacre da Serra Elétrica

Este clássico do horror é presença obrigatória na lista de quem se aventure a entender o cinema americano. O filme tem um tom documental genuíno que empresta uma urgência desesperada ao espectador – uma sensação que vai além do medo. A grande obra de um cineasta, tanto que, a despeito do relativo sucesso comercial que alcançou depois, Tobe Hooper sempre será lembrado pela originalidade de O Massacre da Serra Elétrica. O filme foi realizado com uma liberdade artística evidente e não temeu em ser ousado. Nos anos 1970, o hype era ser politicamente incorreto e os excessos de toda esta geração foram escancarados com a crueza necessária em câmeras de 16 mm neste exemplar singular do cinema independente.

A suposta lenda urbana de um grupo de jovens vítimas de uma família redneck do Texas é uma coletânea de lendas, fatos e preconceitos que ajudam a construir e/ou consolidar um arquétipo do medo. O tema por si é indigesto e, para piorar, a construção dos personagens e situações passam a impressão de que estamos diante de um vídeo amador - o pesadelo parece mesmo real. Sem falar no insaciável combustível hedonista quer perpassa não só o que vemos na tela, mas a produção como um todo. Ao contrário de qualquer conceito do establishment atual, somos deleitados com um festival de seqüências perturbadoramente antológicas.

Antologia suja construída com a desconstrução de mitos do american way of life: veterano de guerra ardil e sanguinário, a morte de um cadeirante sem qualquer valoração por conta das suas limitações e a nada convencional cena de jantar em família são apenas exemplos. Revi um dia desses e o filme continua original, anárquico e assustador. E para alfinetar os moderninhos, vale salientar que não há remake violento e bem produzido que faça jus ao original.

Ponto Alto: a cena da primeira morte com a marretada na cabeça.

Ponto Baixo: não que tenha feito falta, mas vamos dizer que faltou um pouco mais de exploração da sensualidade da protagonista.

1 Comments:

Blogger jamagonça said...

Para mim o ponto alto é a cena do jantar em família.
Adoro esse filme.
Abraços.

2:41 PM  

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