2 de julho de 2006

She Killed in Ecstasy


Um dos meus prediletos do mestre Franco. Adoro a ambientação setentista, a mistura inusitada de experiências genéticas, intriga de assassinato e sensualidade. Esse último quesito, aliás, é o forte desse pequeno clássico do nosso querido cineasta espanhol, realizado antes da fase mais bagaceira, após a parceria com Edwin C. Dietrich. E muito da sensualidade se deve a presença marcante de Soledad Miranda. A espanhola era um assombro - traços inacreditavelmente harmônicos, acentuados por olhos escuros, uma pele morena e um corpo absolutamente perfeito. A beleza dela jamais soa agressiva, ao contrário, é sempre suave, natural. Lembra uma jovem Yoná Magalhães. Uma pena Soledad ter nos deixado ainda muito jovem, por conta de um acidente automobilístico.

Voltemos ao filme. Aqui, ela é casada com o Dr. Johnson (Fred Williams) e vive muito bem, mas o maridão, altruísta que só ele, realiza experiências genéticas com embriões visando a cura de doenças. Experiências polêmicas, tanto que é obrigado a parar por ordem do conselho de medicina. Além disso, tem o registro cassado e é exposto na comunidade médica. Não segura a onda e enlouquece, apesar da mulher fazer de tudo para dar uma força. O cara é atormentado por vozes e acaba cometendo suicídio.

A viúva passa então a usar de toda sua sensualidade para se vingar. Seduz um a um os membros do conselho, e os mata com fúria e requintes de crueldade em uma combinação inusitada de sexo e violência. Destaque para o ataque contra a Dra. Crawford (Ewa Stroemberg, outra musa de Franco). Em vários momentos, a justiceira usa uma peruca loira, sem jamais perder um pingo do charme. O final é triste.

O que diferencia She Killed in Ecstasy dos outros trabalhos de Franco é o estilo. Apesar de algumas excentricidades - como a abertura com os embriões e o sufocamento com uma almofada inflável -, o filme é bem realizado e com passagens de muito bom gosto. Produção caprichada, sem nunca deixar de lado o estilo improvisado que marcou a carreira do mestre. Além, nunca é demais repetir, de contar com o trunfo de uma Soledad bem à vontade. Vale a pena conferir!

Ponto Alto – a trilha sonora é muito bacana. Pontuada por instrumentos como cítaras, etc. Vale lembrar que Ravi Shankar estava em alta no ano de 1971. Em outros momentos, quem dá o toque é a música disco. Essa combinação tinha tudo para dar errado, mas não sob a batuta do maestro Franco.

Ponto Baixo – a canastrice de Fred Williams nos momentos de sofrimento do Dr. Johnson passa dos limites.

3 Comments:

Anonymous fernando said...

a maioria dos filmes de jess franco tem uma excelente trilha sonora. A de VAMPYROS LESBOS tem até um CD com remixes.

1:34 PM  
Blogger Rodrigo Karashima said...

ah, e eu tb achei os Crimes do Padre Amaro muito ruim.

12:48 PM  
Anonymous Adriano Miranda ( Franca-SP ) said...

SHE KILLED IN ECSTASY é um filme sensacional. Até certo ponto, é uma refilmagem de MISS MUERTE ( aka THE DIABOLICAL DR. Z ) que o próprio Jesús Franco filmou em 1965. O melhor é assisti-lo numa sessão dupla com VAMPYROS LESBOS , também estrelado por Soledad Miranda ( creditada como Susann Kaorda ), outro cult do genial " Tio Jess " !

9:22 AM  

Postar um comentário

<< Home