15 de março de 2008

May - Obsessão Assassina

Só me arrisquei com este terror com pinta de gótico, pois o diretor Lucky McKee foi um dos únicos (acho que o único) “novatos” chamados a compor a respeitada turma dos Masters of Horror. Porra, o cara chamou a atenção com este May, então vamos ver o quê realmente é isso. E o filme é surpreendentemente bom. Visual moderno, trama retrô, protagonista angustiantemente estranha e climinha mórbido sempre na ascendente que culmina em um desfecho bacana.

A menina May tem pais estranhos e é rejeitada pelos coleguinhas do colégio por um problema oftalmológico. Ela vive no seu mundo e sua singular amiga é uma boneca guardada em uma caixa de vidro. May fica adulta (vale citar a interpretação magistral de Angela Bettis), mas continua vivendo isoladamente – trabalha como ajudante de um veterinário estrangeiro (Ken Davitian, o produtor Azamat de Borat) e se apaixona pelo estudante de cinema Adam (Jeremy Sisto). Ela também se envolve afetivamente com Polly (Anna Faris), sua doce colega de trabalho A carência e a insegurança de May, obviamente, funcionam como catalisadores da efemeridade dos seus relacionamentos. E aí, tome mais angústia e rejeição e como a garota não tem parâmetros comportamentais bem definidos, além de um certo fascínio por mutilação, a explosão violenta é questão de tempo. ..

Tudo bem, May é mesmo bullying no estilo Carrie na veia, mas, a exemplo do clássico de Brian De Palma, sob uma leitura mais intimista e bem trabalhada que propriamente violenta. Além disso, o filme tem um estilo legal e não lança mão de homenagens cults, as citações são mesmo clássicas, como o Frankstein tatuado no braço de um punk... A coisa é século XXI e, em um mundo repleto de facilidades, o isolamento da menina fica ainda mais intenso e constrangedor. A última cena propõe uma leitura piegas da proposta do filme, mas não macula a boa impressão causada por May. Foi amor à primeira vista.

Ponto Alto: a cena das crianças cegas engatinhando sobre cacos de vidro é um achado. Uma inovação que merece ficar nos anais do cinema extremo.

Ponto Baixo: o tal de Jeremy Sisto é insosso demais. Tudo bem que May era estranha, mas merecia um objeto de afeto melhorzinho.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

O "ponto alto" q. vc. destacou é realmente das cenas mais geniais do cinema contemporâneo. Gde filme!

P.S. Preciso rever, mas gosto do final, vc disse q achou piegas: pq?

3:07 PM  
Blogger Juarez Junior said...

Fala meu amigo Eduardo... Caramba, nunca mais tinhamos conversado por meio dos comments. Pois bem, acho o final meio piegas pois mesmo sendo por meio da interpretação de uma maluca, ela consegue a redenção por meio do seu amigo especial. Um final feliz que pretendia ser irônico, mas ficou na intenção. E aquele abraço final foi um pouco além da conta. Na verdade, como já disse, acho que a intenção foi boa, mas a realização é que não foi das melhores. Essa foi a impressão que tive, mas nada que compromenta o brilhantismo do filme.

E como vai a vida, rapaz? Grande abraço!

10:30 AM  
Anonymous Anônimo said...

blog legal.Sempre dou uma passada no blog pra antes de assistir qualquer filme.

9:40 PM  

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